Batman vs Superman: Uma questão de gostos

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Os últimos anos tem sido um prato cheio para os nerds do mundo todo, e este (assim como os próximos) prometem ser mais lacradores do que nunca pra quem se delícia em ver a dinâmica dos super nas telonas.

No meio dessa loucura toda, é comum que as opiniões do público sejam variadas, afinal, o perfil desse público também o é: alguns são fãs do universo das HQ’s com recursos suficientes para se manter a par de tudo que acontece nesse mercado; outros curtem o básico da história e seus personagens, tendo tido contato por desenhos animados ou séries televisivas; e há ainda tantos outros que sequer tiveram contatos com o mundo dos super-heróis norte-americanos e estão meio que caindo de paraquedas no meio dessa verdadeira rave geek.

Se para você um filme de super-heróis só é prazeroso se recheado de humor e ação, você provavelmente vai odiar Batman vs Superman; agora, se você é fã daquelas edições de 100 páginas onde quase tudo é espionagem, tensões, uns flertes venenosos e crises existências – que aparecem até nas cenas de ação -, Zack Snyder vai te dar fantásticas 2h33minutos.

Aos moldes do Homem de Aço, Batman vs Superman: A Origem da Justiça trás uma fotografia escura e sombra, muito condizente com o estado de espírito dos nossos heróis. Não vá assistir a esse filme esperando muitas risadas, que isso não está na proposta do filme – o que é evidenciado pela escolha das estrelas: os três indivíduos com menos senso de humor de todo o universo DC. A única fonte de humor é o Lex Luthor surtadinho que, apesar de ser diferente da maior parte das suas versões, fez muito bem o trabalho do arqui-inimigo não só do Superman, mas da nascente Liga da Justiça. Genial, cruel e enlouquecedor definem o Lex novinho e obssessivo que Jesse Eisenberg nos apresenta.

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As cenas do filme são longas, amplas e lentas, assim como o ritmo em si do filme, fator ressaltado pela atmosfera sombria que não aparece somente na fotografia, mas também na trilha sonora. Me parece que essa atmosfera em si foi o grande divisor de água para a audiência, acostumada aos blockbusters luminosos e agitados que vêm representando as adaptações cinematográficas de quadrinhos. Pessoalmente, eu achei a escolha o ponto alto da adaptação; seria pouquíssimo convincente um Batman, uma Wonder Woman ou um Superman cômicos, fazendo comentários espirituosos e hilários no meio de uma super batalha. Isso pode combinar com Flash, algum Lanterna Verde ou alguma das Canários, mas esse não é o estilo desses três. Eles são soturnos, ríspidos e carregam o peso do universo nos ombros.

Agora, vamos ao que realmente nós estávamos esperando: a Mulher Maravilha!

Antes de falar mais sobre ela, quero deixar aqui que a escolha da atriz ainda me deixou com o gostinho da decepção na boca. Não pelas razões escrotas dos machinhos de plantão – não acho que a Gal Gadot precisava ser mais gostosa para representar a nossa querida guerreira, mas ainda acho que ela devia ser maior, sabe? Diana não é forte só por causa do poder dos deuses, ela foi treinada como guerreira desde a infância, ela é musculosa, grande, tipo uma lutadora de UFC. Ela tem a altura do Superman com a mesma largura de ombros; ela não é uma topmodel com super poderes. Na minha opinião haviam ótimas atrizes muito mais consistentes com o papel, como a diva Gina Torres (que todos sabemos sempre teve interesse no papel) e a queridíssima Morena Baccarin (que por algum motivo está sendo ninguém em Gotham).

De volta ao que nós temos…

Diferente do que os trailers deram a entender – para a nossa alegria! – a princesa de Themiscyra não é tirada de uma cartola na hora da batalha, desaparecendo nas névoas da vitória. Nada disso, Diana aparece em meio as teias de investigação e espionagem, como uma agente ativa dos acontecimentos. Apesar de eu não acreditar que a guerreira amazona seria tão boazinha com o sr. Wayne depois de seu comentário idiota e sexista sobre a competência e aparência dela, suas ações foram no geral coerentes.

Gal Gadot se esforçou bastante na interpretação da semi-deusa; as caras dela na batalha arrancaram risadas e pulinhos na cadeira do cinema. Mesmo com os poréns, foi uma boa apresentação da Wonder Woman nas telonas – torçamos para o filme solo ser ainda mais competente na representação das Amazonas.

Voltando ao filme… Existem algumas falhas de roteiro, algumas caras-de-pau aqui e ali, mas nada surpreendente para uma história do Homem Morcego e o mocinho de Krypton. De modo geral, eu gostei muito do filme. A lentidão que foi tão horrível pra algumas pessoas, me pareceu perfeitamente adequada. Claro, é aquilo: se você prefere piadas, luzes e explosões, esse filme não vai ser uma boa ideia; se você não é fã dos quadrinhos – incluindo o ridículo que se você parar para levar realmente a sério por alguns segundos pode destruir toda a magia – é bem provável que você não se divirta com BvsS; agora, se você é um fã da DC, mesmo preferindo mais movimentação, eu ainda aconselharia assisti-lo. As referências pra quem realmente gosta do universo são sutis, mas plenamente satisfatórias.

Ficaram as dicas pro filme da Liga da Justiça, que provavelmente a maior parte do público só vai perceber quando esse filme chegar. E as expectativas agora só vão aumentando e a se amedrontando diante das próximas histórias previstas para a tela grande. Os trailers de Esquadrão Suicida inspiram uma atmosfera sombria, mas menos séria e densa do que o que encontramos nas histórias dos mocinhos até agora. Vamos ver o que a DC tem planejado para os nossos próximos meses!

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