Capitão América: Guerra Civil – Falta muito pro filme começar?

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Capitão América: Guerra Civil é com certeza um dos (caso não seja o) filme mais esperado do desfile de adaptações cinematográficas de quadrinhos que vêm invadindo 2016. Além de ser a sequência do que tem sido a empreitada mais bem sucedida do gênero, leva o nome de uma das melhoras histórias do universo Marvel.

Claro que nós sabíamos que o filme não seria nem metade do que é sua história homônima nos quadrinhos, mas existe uma diferença muito grande entre simplificar ou condensar uma narrativa, e simplesmente esvaziá-la. Guerra Civil é uma história enorme e complexa e também extremamente apropriada para o momento atual, no qual a temática e as discussões sobre representatividade racial, de gênero, identitárias e questões ética ligadas às liberdades individuais têm conquistado tanto espaço nas produções da cultura pop. Mesmo tendo feito diversos filmes até agora, introduzindo as personagens de destaque e o universo no qual se passam as histórias, nada de realmente relevante para essa narrativa específica tinha sido introduzido antes, o que torna o trabalho do filme bem mais difícil.

Eu sai da sala de cinema com uma sensação de vazio, foi divertido, mas ficou aquele gostinho adstringente e incômodo na boca; não tenho certeza se minhas expectativas estavam desajustadas ou o quê, mas me pareceu que o que era pra ter sido uma grande oportunidade para explorar personagens fantásticas para além de suas fantasias e suas cenas de batalha foi desperdiçada.

A maior parte dos personagens foram muito mal explorados na trama: o Pantera Negra entra e sai de cena como uma pop-up oportuna, mudando de atitude conforme o vento soprava, sem ter um espaço real para se desenvolver na telona. Éle não teve espaço nem dedicação por parte do diretor ou roteirista de se tornar a personagem e personalidade pesada e importantíssima que ele é. Pantera Negra não se resume a ser muito estiloso (como de fato ele estava), ele é MUITO mais que isso.

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Já a Feiticeira Escarlate não alcançou 20% do seu potencial, e passou quase a maior parte do tempo envolvida na construção de seu romance com o Visão (veja bem, eu amo o ship), só que os dilemas e problemas da Wanda não se resumem a como esse relacionamento é construído, essa mina é a personificação do poder e da complexidade, po%#!

Foi legal ter o Homem Aranha moleque, mas vê-lo como um peão patrocinado que é puxado e afastado como um iô-iô roubou a magia de tantos anos de espera. O que me pareceu é que a Marvel só gastou um cartucho já que sabia que a aparição do Parker no trailer atrairia o público.

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Para mim o grande destaque foi a Viúva Negra: depois de tantos roteiros focados na vida sexual-afetiva de Natasha, foi sensacional tê-la de volta como um indivíduo genial e autônomo, fiel aos seus princípios e independente em suas decisões. To doida pra ver como ela estará nas futuras produções, na verdade, estou doida pra vê-la estrelar seu filme solo e arrasar!

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Normalmente os filmes da Marvel disfarçam esses defeitos de roteiro e construção de personagens com cenas de ação fantásticas e piadas abundantes e bem posicionadas, o que não foi bem o caso deste filme – ainda porque a história em si não permitia muitas escapadas cômicas. Não somente isso, mas existem (se não estou enganada) apenas duas cenas de batalha realmente emocionantes, enquanto no restante do tempo ninguém quer machucar ninguém de verdade, fazendo tudo parecer uma guerrinha café-com-leite, o que poderia ter sido genial se acoplado aos debates éticos que deveriam ter recheado as interações entre as personagens. O esvaziamento desse debate fez o filme parecer lento, patinando na construção detalhada de uma linha narrativa rasa, que, no formato em que nos foi apresentada, não precisava de tanta atenção e tempo.

A história de Guerra Civil é fantástica, e seria de belíssimo tom trazê-la para o mainstream; é possível fazer a sua adaptação audiovisual sem usurpá-la de sua essência. Se a proposta de filme for ser uma introdução para a construção dessa história em outras obras (o que de certa forma foi dado a entender, especialmente quando pensamos nas cenas finais e pós-créditos), terá sido algo bem interessante. Do contrário, provavelmente teria sido melhor usar um título menos pesado, já que a mesma história poderia ter sido contada sob outro nome.

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