Deadpool: uma comédia-romântica disfarçada de filme de ação

Esse mês estreou o primeiro da série de filmes de super-heróis que estão prometidos para o ano de 2016, o famigerado Deadpool. Para a arrasadora maioria de nós, esse era um nome bizarro e que não dizia respeito a nada, mas existe uma verdadeira horda de fanáticos que vinha gastando muito tempo e energia tentando fazer esse sonho se tornar realidade. Se você acompanhou as pessoas que trabalharam no filme (atores, roteiristas, etc) deve ter percebido que para eles não era só um jeito de fazer muito dinheiro; era basicamente um monte de crianças que ganharam orçamento e liberdade para brincar com o brinquedo favorito.

Quando começaram a sair os materiais promocionais do filme, eu admito que uma das minhas sobrancelhas foi lá pro alto. Bateu aquele gelo na espinha de estarem fazendo o filme do “politicamente incorreto da Marvel”, e até certo ponto até acho que fizeram, mas não parece ser essa a proposta do Wade. A maioria das piadas é desvinculada de denegrir outras pessoas, mesmo com algumas que claramente foram além, e outras sobre as quais poderíamos debater o quão desnecessárias ou não elas foram. A priori, acho que a proposta do personagem é ser o agente de algo que me parece extremamente brasileiro: a zueira. Pessoalmente, acho que pra se analisar a zueira é preciso muita calma, com o material acessível para ser visto e revisto, debulhado, discutido e embasado; ou seja, enquanto filme estiver só no telão eu vou me privar de me aprofundar nessa questão.

De qualquer maneira, ainda não foram esses os detalhes que me fizeram ficar empolgada e decidir ir ver o filme. O que realmente fez minha atenção se voltar para ele foi a presença da atriz Morena Baccarin. Alguns talvez a tenham conhecido no seriado “V”, e pra outros ela pode só ter surgido agora, como Dra. Lee em “Gotham”, mas eu a acompanho desde o seriado de Joss Whedon “Firefly”. Quando eu soube que ela iria estar em Deadpool e que a sua personagem, pelo menos de acordo com os quadrinhos, era muito mais do que a namorada dele, eu comecei a dar uma chance e acumular expectativas para essa estreia. Expectativas dentro dos limites de: o filme não ser sobre ela e, bem, ser um filme de ação de Hollywood.

No final das contas, foi bem divertido de assistir. A maioria dos personagens são rasos, bem rasos mesmo, mas também não vamos ficar aqui fingindo que a Marvel super aprofunde seus personagens secundários nas telonas. Pra quem curte os quadrinhos, deve ter sido muito gostoso, já que algumas das figuras, como a Blind Al, são muito importantes e queridas no formato original. No entanto, a personagem acabou sendo usada em um “combo de minorias”: não é somente a única personagem negra no filme (e olha que a personagem no quadrinho é branca, o que nos faz pensar ainda mais em qual o nível de representação na obra), ela também é mulher, idosa e cega. Foi como se tivessem decidido representar todo mundo de uma vez, mais como uma obrigação do que um interesse real.

Continuar lendo “Deadpool: uma comédia-romântica disfarçada de filme de ação”

Anúncios