Passando vontade no México: Resenha de “Como água para chocolate” de Laura Esquivel

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A escolha para representar o México neste desafio não foi fácil, haviam várias possibilidades, mas poucas realmente acessíveis. Queria ir atrás de algo mais desconhecido, mas terminei com um dos grandes best-sellers mexicanos, que ganhou até uma adaptação muito boa para o cinema, roteirizado pela autora e dirigido pelo marido dela. Essa obra é o famoso “Como água para chocolate” de Laura Esquivel.

Apesar de numa primeira olhada parecer um simples romance, percebemos que o realismo mágico de Esquivel vai para além de histórias de amores impossíveis, enfiando-se no meio da Revolução Mexicana do início do século XX, nos corpos e nas vidas das mulheres cuja narrativa acompanha. Seguimos a trajetória de Tita, caçula entre três meninas (cujo destino é assombrado pela tradição familiar que dita que a mais nova nunca deverá se casar, pois deve cuidar da mãe até que está morra), desde o princípio, quando um mar de lágrimas a trás ao mundo.

Devido ao seu destino, e por ser de uma família rica (já que eles tem terras, criados e o luxo de criar filhas mulheres que não estão preparadas para cuidar de uma casa), Tita é a única das três criada para o afazeres domésticos, com destaque especial para a cozinha. Aliás, a cozinha será o ambiente mais importante desde o início desta história. É nela que acontecem as conversas mais confidentes entre as mulheres da casa, também é nela que se dão as decisões internas, os dramas e a magia. Como eu disse, está é uma obra de realismo mágico, e este aparece especialmente na culinária de Tita. Quando a nossa heroína cozinha com demasiado sentimento, este é transferido para aqueles que comem, podendo gerar situações no mínimo… peculiares.

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“Sólo sé que no sé nada” à Argentina: Resenha do “Museu do Romance da Eterna” de Macedonio Fernández

Acho que devo começar essa resenha ressaltando a inocência que me rodeava quando escolhi essa obra. A ideia era participar do desafio e eu tinha pouco tempo para conseguir um livro adequado, e esse estava pelos labirintos das minhas estantes. Era de um argentino muito bem recomendado por Jorge Luís Borges. Eu devia ter desconfiado a partir daí, mas essa escola fantástica latinoamericana povoa muito do meu imaginário e me lancei confiante ao que me parecia um romance tranquilo, de edição super bem feita.

Veja bem… Eu fui muito inocente.

“Museu do Romance da Eterna” é, por incrível que pareça, difícil de por em palavras. Em primeiro lugar, não é um livro para ser ler no transporte público. Também não é um livro pra se ler deitado na cama, antes de dormir. Não é um livro pra se distrair. Tampouco é um livro pra se ler somente uma vez, e é por isso que me sinto até insegura de estar aqui, escrevendo essa resenha.

Uma das grandes excentricidades da composição desse livro nos foi privada pela edição, já que só contamos com o que ele chama de Primeiro Romance Bom, e que deveria ser publicado junto com o Último Romance Ruim (Adriana Buenos Aires). Provavelmente os argumentos dele ao redor do que é a Arte e sobre o tipo de escrita que melhor a satisfaz, ficasse mais claro com esse outro livro ao lado servindo de comparativo. Mas essa é uma suposição minha. Continuar lendo ““Sólo sé que no sé nada” à Argentina: Resenha do “Museu do Romance da Eterna” de Macedonio Fernández”