“My body is biology”: o controle dos corpos em Orphan Black

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Uma da grandes atrações dos últimos anos para os fãs de uma ficção científica trabalhada no estilo do suspense policial é a série da BBC America e Space do Canadá Orphan Black. A série conta a história de Sarah Manning, uma punk britânica que presencia o suicídio de uma mulher idêntica à ela numa estação de trem. Ainda no piloto, Sarah descobre que é um clone e a partir daí adentramos uma teia de segredos, conspirações e disputas de poder que só cresce. Esse já me parece um dos grandes diferenciais dessa história, uma vez que ela acontece do ponto de vista das clones, e não de seus criadores, experimentadores ou controladores. Elas não são desumanizadas ou instrumentalizadas, pelo menos não pela narrativa, já que esses processos são expostos e criticados no próprio enredo.

Como é de se imaginar, a grande maioria das personagens são mulheres, sendo que todas as clones LEDA são interpretadas pela incrível Tatiana Maslany. É algo que vai além de criar pessoas autênticas e complexas; é algo do nível de você saber quem é quem (mesmo quando estão fingindo ser outro quem!) só pelo olhar dela. A série também conversa sobre sexualidade, sobre identidade de gênero e sobre classe, razões pelas quais tem se tornado uma das queridinhas das feministas.

Porém nem tudo é feito de rosas, e é necessário fazer ressalvas ao ‘endeusamento’ de Orphan Black : apesar de falar muito sobre todos esses temas citados e servir para fermentar diversas discussões, Orphan Black ignora e peca repetidas vezes quando o tema é racismo. O único personagem negro recorrente é o detetive Art Bell (Kevin Hanchard), cuja vida para além da sua relação com as clones ou o trabalho é praticamente um mito. Não somente ele, mas todas as poucas personagens negras e não-brancas são estereotipadas na sua construção, além de terem uma função muito mais utilitária do que enquanto pessoas autônomas. 

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